sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Artigo de Ellen Dean Ribeiro Teixeira


EDUCAÇÃO PELA ARTE:
INSTRUMENTO PARA FORMAÇÃO DO HOMEM CRÍTICO


Ellen Dean Ribeiro Teixeira*[1]
*Professora de Educação Infantil
  Escola de Educação Infantil Alziro Zarur – LBV
  Pós- Graduanda em Educação Infantil
  Universidade Católica de Brasília - Qs 07 Lt 01 EPCT – Águas Claras CEP 71966-700
  E-mail: ellendean@ig.com.br/ (61) 92999388


A arte é um trabalho que afeta a essência humana, ela não pode ser definida de uma única forma. É algo intransferível de ser humano para ser humano, sobretudo, é o produto de culturas, e constitui como uma forma de expressar o mais íntimo sentimento, tanto para o artista como para o espectador.
                A educação será contextualizada, quando estiver mais próxima da realidade da criança que é na sua essência artista. Ela poetiza com as palavras, brinca com as imagens, e os objetos em suas mãos se tornam diversas outras coisas. Dessa forma, proporcionar uma educação prazerosa é condição fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico.
  A educação pela arte oportuniza o indivíduo a agir no mundo; possibilita adquirir a capacidade crítica para não se submeter á imposição de valores e sentidos, estimula a capacidade intelectual para recriar idéias e ações, segundo sua própria decisão. Esta educação também oportuniza aos professores de diferentes áreas do conhecimento trabalhar através da interdisciplinaridade, ou seja, é permitido utilizar a arte para ensinar diversos outros conteúdos: é uma forma metodológica a ser empregada nas aulas, para torná-las mais proveitosas.
Educar através da arte é condição essencial para os professores dos anos iniciais. Os professores que educam através da arte permitem ao aluno uma educação integral, que consiste na educação da mente e também do corpo, porque oportuniza trabalhar a percepção, a imaginação, a disciplina, a criatividade e o envolvimento com o grupo. A arte enseja o ser humano estabelecer relação de autoconfiança com os outros.
A disciplina de arte dentro do currículo escolar, geralmente possui a menor carga horária em relação às outras disciplinas como: matemática, português, ciências e outras. Todavia, o interesse maior desta pesquisa foi perceber como a arte integrada a todas as disciplinas contribui para a formação do homem crítico. A pesquisa é qualitativa e o instrumento utilizado foi o estudo de caso.
  
 Uma das fontes iniciais para o desenvolvimento da aprendizagem e interação social humana é a linguagem, porque é um instrumento que possibilita a uma determinada sociedade compartilhar de uma mesma estrutura de valores. Quando se aprende uma língua se aprende a percepção de determinada cultura, isto é, de determinado grupo social.
   O desenho constitui como um dos primeiros registros gráficos, no desenvolvimento da comunicação entre os homens. Entre os dois e três anos de idade, a criança rabisca e descobre significados. O rabisco mesmo que não seja perceptível para o adulto tem definição precisa para aquilo que a criança desejou desenhar na mente. Neste sentido, para as crianças o desenho é uma forma de linguagem.
Desde a infância o ser humano já supera o animal, por que sabe conservar os objetos, formar imagem mental, trabalhar no plano das representações e das idéias. O animal somente é capaz de executar aquilo a sua frente, se adaptar e se ajustar às condições que lhes são impostas para o ambiente. “... o homem tornou-se histórico: seus símbolos permitem-lhe evocar o passado e planejar o futuro” (DUARTE, Jr, 1981, p. 23). E também o autor, Freire (1997), confirma esta idéia ao comentar que, “não ter um amanhã nem um hoje, por viver num presente esmagador, o animal é a – histórico” (FREIRE, 1997, p.104).
A escola é a instituição por excelência responsável por construir nos indivíduos o processo de aprendizagem; é responsável por colocar os indivíduos em contato com os sentidos que circulam a cultura da sociedade, para fazer com que eles conheçam as múltiplas significações e as compreenda a partir de suas vivências aponta Duarte, Jr, (1981, p. 93): “Quando a educação não leva o sujeito a criar significações fundadas em sua vida, ela se torna simples adestramento: um condicionamento a partir de meros sinais.”




segunda-feira, 12 de agosto de 2013


A MÚSICA COMO FORMA DE ARTE NA
EDUCAÇÃO INFANTIL

A música é uma forma de linguagem sendo esta antes de tudo uma área de conhecimento. Dentro deste contexto é importante inserir a música desde da Educação Infantil no planejamento de ensino da escola, pois com a educação musical há um melhor desempenho por parte dos alunos diante de outras disciplinas. São muitos os benefícios desta educação englobada nas práticas pedagógicas, como: desenvolvimento do raciocínio, estimulação do cérebro, maior interação entre o grupo (proporcionando assim uma melhor comunicação), entretenimento entre alunos e professores, entre outros.
É essencial que o professor selecione gêneros que sejam autênticos, espontâneos, simples e claros de serem entendidos pelas crianças para que se trabalhe desta forma de maneira ampla, valorizando toda diversidade cultural dentro da sala de aula.
A música tem por função na educação de despertar os aspectos sócios afetivos, psicomotores e cognitivos nos alunos, ou seja, é um exercício para o corpo e a alma.
Um dos primeiros passos para um resultado eficaz na atuação pedagógica com a música na escola é a criação de um ambiente propício, sendo necessário também a elaboração de atividades com o canto ou prática com instrumentos, ensino com as letras, cantar fazendo gestos, palmas, são pontos chaves para estimular a imaginação e também aumentar a coordenação motora.
Em suma, a música aguça a sensibilidade e o prazer, sendo uma forma de expressão dos sentimentos e emoções, estimula a curiosidade, possuindo um papel importantíssimo dentro da sociedade e na escola, principalmente quando ensinada de forma consciente e divertida, se torna um meio visível de combate aos malefícios vinculados pela mídia.


Renatiele Muniz Gomes

domingo, 11 de agosto de 2013


"Muito além do peso"





        Este outro vídeo é uma continuação do primeiro. Foi inspirado nele e esta mais relacionado á questão da alimentação, mas passa pela questão da importância de brincar ao ar livre e fazer exercícios físicos também. Podemos considerar a culinária como uma forma de educação artística na escola (modelar massas, lidar com cores nos pigmentos dos alimentos e a mistura deles em si, uma alquimia com os alimentos). O Vídeo mostra como a manipulação é feita e qual a mentalidade das industrias e corporações: se começar cedo, esses hábitos vão perdurar, ai nós vamos vender por toda a vida dessas crianças... Maldade mesmo. Estes vídeos e o anterior vem problematizar a questão da mídia voltada para as crianças. Deveria ser Proibida?
" Criança, a alma do negócio"





      Este vídeo abre uma discussão importante para o nosso tema: a influência da mídia sobre as crianças. Uma intenção perversa da sociedade capitalista de consumo, que está ligada a questões das tecnologias voltadas para os pequenos. A mídia induz a criança ao mundo do consumo levando-a até a preferir comprar do que brincar, como mostra o filme. O brincar vai sendo deixado de lado cada vez mais em lugar de comprar e adquirir coisas inutilmente. Um absurdo, pois brincar é saudável! Influenciando principalmente na relação entre as crianças e seus pais, suas famílias. Tudo isso e muito mais o filme mostra perfeitamente. As mães perdem o controle sobre seus filhos por causa da influência cruel da mídia que ataca o inconsciente de pessoas tão inocentes: " você só será feliz se tiver o lap top da Xuxa  ou a sandália... ou..." A criança acredita profundamente nas afirmações e passa a cobrar da mãe esta infelicidade ou coisa assim.

O que está acontecendo com o modo de brincar das crianças?

David Elkind
Durante as últimas duas décadas, temos progressivamente corrompido o modo de brincar das crianças, assumindo o controle e alterando a cultura lúdica da infância.

Brincar é o portal da criança para o conhecimento de si mesma e do mundo

Ao reinventar a experiência brincando, ela dá significado e valor à confusão estonteante da vida. O bebê transforma todo objeto que toca em algo a ser sugado. Desse modo, passa a conhecer os limites de sugar e a natureza dos objetos. Pela imitação de papeis adultos no jogo dramático, o pré-escolar descobre novos potenciais e capacidades humanas. A criança em idade escolar transforma objetos lúdicos, como peças do jogo de damas ou de xadrez e bolas de futebol ou beisebol, em ferramentas valiosas de intercambio social. Todas essas reinvenções contribuem para que ela amplie sus compreensão da realidade pessoal e social.
Durante as últimas duas décadas, entretanto, temos progressivamente corrompido o modo de pensar das crianças. Temos feito isso assumindo o controle e alterando a cultura lúdica da infância. Até pouco tempo atrás, havia uma rica linguagem e um saber que eram exclusivos às crianças e que eram transmitidos pela tradição oral. Eles consistiam de jogos, piadas, charadas, superstições e encantamentos que foram sendo revistos pelas sucessivas gerações conforme as transformações nas circunstancias sociais. Hoje, contudo, poucas crianças conhecem canções como Rain, rain go away, come again another day (“Vá, vá embora, chuva, e volte no outro dia” – Canção tradicional inglesa da época da Rainha Elisabeth I). Elas também não entendem as palavras mágicas “Step on a crack and break you back” (“Pise numa rachadura e quebre a espinha”. Segundo a superstição, comum entre as crianças e originária do século XIX, pisar nas trilhas do calcamento dá azar). As crianças contemporâneas conhecem, sobretudo a cultura da Disney, Pokemón e Yogiyo, que nós, adultos, criamos para elas. Essa cultura lúdica virtual é desonesta porque, embora se apresente como brincadeira de criança, não é criada pelas próprias crianças.
Quando criamos brincadeiras para as crianças, principalmente para as pequenas, apropriamo-nos antecipadamente de seu crescimentoNós as privamos das oportunidades de aprenderem a seu próprio modo e em seu próprio ritmo. Isso não quer dizer que não tentemos criar ou educar as crianças, mas apenas que o façamos de maneira que tenham sentido, que sejam significativas e motivadoras para elas.
Eis um bom exemplo de uma mãe, com todas as boas intenções, tentando interferir no modo de brincar de seu bebê (Greoline, 1972, p. 13):
“Uma jovem mãe senta-se junto ao berço de seu primeiro filho (para o segundo já há menos tempo) e observa como ele tenta diversas vezes colocar um cubo vermelho sobre um azul. Depois de certo tempo observando isso, ela pergunta: ‘E onde está aquela sua bonequinha adorável?’. A criança abandona os cubos, procura a boneca e começa a lamber o rosto dela, e fica lambendo, lambendo até a mãe trazer o urso para a cena. ‘Grr, grr, aí vem o velho urso’. A criança brinca com ele com as mãos e por fim mexe uma perna para cima e para baixo, até que, é claro, a mãe entedia-se e chama a atenção da criança para a bola. Educadamente, a criança deixa-se distrair pela terceira vez e brinca com a bola. Assim, a mãe passa uma tarde agradável e está totalmente inconsciente de como ela interfere na persistência e na capacidade de concentração de seu filho. Ela impede que ele se acostume a perseverar em uma atividade e a se ocupar inteiramente com alguma coisa durante um longo período de tempo”.
Isso é exatamente o que acontece quando os pais de hoje colocam uma criança em frente a uma tela de computador, ou lhes dão brinquedos que são tão programados que deixam pouco ou nenhum espaço para a criança explorá-lo em seu próprio ritmo e a seu próprio modo.

Efeitos do brincar virtual prematuro

Quando as crianças são introduzidas no mundo virtual ao mesmo tempo em que são expostas ao mundo real, ou até antes disso, brincar perde muitas de suas funções adaptativas. Compare-se um bebê que sacode um chocalho para ouvir um som com outro que aperta um botão para ouvir uma vaca mugir. No mundo real, sacudir um chocalho realmente faz barulho, mas apertar um botão não faz uma vaca mugir. Quando deixados com seus próprios recursos, os bebês descobrem o mundo físico real. Como declara Richard Hartacher (1967, p. 27):
“Para o bebê, os brinquedos são objetos experimentais totalmente apoéticos que servem para explorar os santificados domínios da física. A exploração da física, portanto, começa muito antes da escola secundária. Bola, chocalho, colher, tudo cai no chão. Mas o som é diferente a cada vez. Pela repetição contínua, o ouvido aprende a distinguir as diferentes qualidades do som produzido pelos diversos objetos”.
Aprender a operar no mundo virtual é, em certos aspectos, mais fácil do que aprender a operar o mundo real. Ligar a televisão é um caso pertinente. Contudo, grande parte do mundo da televisão não é  a realidade. O brincar virtual é corruptor porque impede a criança de adquirir muitas habilidades pessoais/sociais e o conhecimento físico que só pode ser obtido brincando-se no mundo real.
Quando os adultos assumem o controle sobre as brincadeiras e os jogos das crianças, eles necessariamente subtraem a capacidade delas de reinventar sua experiência. E é somente através dessa reinvenção que as crianças são capazes de extrair todos os benefícios do brincar para o desenvolvimento.

 A importância de “brincar de verdade”

A despeito das afirmações acerca dos benefícios do Lapware e de programas como Telletubbies, não existem dados que apóiem os benefícios intelectuais, sociais ou comportamentais desse tipo de atividade virtual. Na verdade, a maioria dos dados sugere que esses programas provavelmente fazem mais mal do que bem. Por exemplo, temos assistido Vila Sésamo há mais de 30 anos. As crianças de hoje conhecem números e letras em idade mais precoce do que nunca; porém, não estão aprendendo a ler ou fazer cálculos mais cedo e melhor do que crianças que nunca assistiram a Vila Sésamo. De fato, considerando-se o número de crianças que estão sendo retidas no jardim de infância porque ainda não têm habilidades, o aprendizado precoce pode estar tendo um efeito negativo.
Um estudo de Hirsch-Pasek (1991) é instrutivo a esse respeito. A pesquisadora comparou crianças que freqüentam pré-escolas acadêmicas com outras que freqüentam pré-escolas centradas nas crianças e orientadas a brincar. As crianças que freqüentavam as pré-escolas acadêmicas eram menos criativas e mais ansiosas do que as que freqüentavam as pré-escolas que davam ênfase ao brincar. Elas também gostavam menos da escola do que as crianças com as quais foram comparadas. Os pré-escolares ensinados academicamente sabiam números e letras melhor do que o grupo que brincava, mas essas vantagens eram dissipadas quando as crianças ingressavam no jardim de infância???
Um estudo mais recente, de Coolahan, Fantuzzo e Mendez (2000), oferece mais evidencias sobre a importância de brincar no mundo real para crianças dessa faixa etária. Esses pesquisadores constataram que as crianças que possuem competência para brincar com seus amigos participam mais ativamente das atividades em sala de aula do que as que carecem dessas habilidades. Na realidade, as crianças que são inaptas para brincar são destrutivas ao brincar com os amigos e tendem a apresentar problemas de conduta e hiperatividade na sala de aula. (Coolahan er al., 2000). Essas são as crianças que mais provavelmente se ocupam com o brincar virtual antes do real.
Evidências ainda mais convincentes da importância de brincar provêm de outros países ocidentais que fizeram experiências com instrução acadêmica precoce, contraposta ao brincar no mundo real. Um relatório da Comissão Real Britânica incluía o seguinte parágrafo (Commons, 2000, p 122-123):
“A comparação com outros países sugere que não existe benefício em iniciar a instrução formal antes dos seis anos. A maioria dos outros países europeus admite as crianças à escola aos seis ou sete anos, após um período de três anos de educação pré-escolar que se concentra no desenvolvimento social e físico. Entretanto, os padrões de leitura e escrita e a capacidade aritmética costumam ser mais elevados nesses países do que na Grã-Bretanha, a despeito de ingressarem na escola em idade mais precoce”.
Os efeitos de corromper o modo de brincar das crianças ficam mais evidentes quando elas ingressam na escola. Aí que a falta de habilidades pessoais, sociais e oriundas do brincar torna-se mais visível. Falta de respeito pelos professores, intimidações, trapaças e incapacidade de concentração por longos períodos são hoje lugar-comum. Esse novo ambiente social é, ao menos em parte, atribuível à ausência de experiência lúdica no mundo real. Conseqüentemente, grande parte do tempo do professor é atualmente dedicada à disciplina, em vez de dedicada à instrução. E isso em uma época em que as demandas acadêmicas são maiores do que em qualquer período anterior. Esta é apenas uma amostra das evidencias dos efeitos negativos de impor realidades virtuais criadas por adultos às crianças antes de elas terem lidado com o mundo real a seu próprio modo.
Com certeza, sempre existiu alguma realidade virtual nas vidas das crianças pequenas. Nos contos de fada infantis, existem animais que falam e que se comportam como humanos, como em Os Três Ursinhos ou Os Três Porquinhos. No entanto, essas histórias encontram correspondência no modo de pensar das crianças pequenas, pois estas projetam qualidades humanas sobre os animais, de modo que os contos de fada tendem a condizer com seu modo de pensar. Como Bettelheim deixou claro, muitos contos de fada possuem um efeito terapêutico. Os personagens da realidade virtual, contudo, são fantásticos e não coincidem realmente com o pensamento infantil. Um bebê com uma tela de televisão na barriga ou um homem-esponja não são personagens que as crianças evocariam sozinhas. E é questionável se esses personagens terapêuticos. A necessidade primordial dos bebês é estabelecer vínculos com adultos significativos, e não com figuras bidimensionais animadas.

Reformando o brincar das crianças

Os efeitos negativos de uma exposição prematura à realidade virtual são mais intensos nos primeiros anos de vida. Precisamos limitar o tempo que bebês e crianças pequenas passam em frente à televisão: no máximo duas horas por dia e, se possível menos do que isso. Um bom kit de blocos de madeira é um dos melhores brinquedos que podemos dar para uma criança pequena. Outros materiais plásticos, como tintas e argila, oferecem, às crianças a oportunidade de brincarem sozinhas.
As experiências no mundo real são muito importantes para as crianças pequenas. A jardinagem é uma grande atividade interessante, pois elas plantam e vêem as plantas crescerem. Passeios ao ar livre e visitas a museus e aquários também ajudam a colocar as crianças em contato com a natureza. Não vejo nenhuma justificativa para colocá-las em esportes organizados ou individuais durante os anos de pré-escola. Por outro lado, as crianças pequenas devem ter a oportunidade de brincar com os amigos a seu próprio modo e com suas invenções. Disponibilizar acessórios como roupas, chapéus e sapatos para serem utilizados por elas em representações teatrais também são muito úteis. Em faixas etárias mais avançadas, precisamos monitorar a televisão e o envolvimento com a Internet e insistir para que as crianças tenham períodos de intervalo a fim de brincar com seus próprios recursos. Estabelecer um horário semanal para brincar em família é outro modo de garantirmos que as crianças aprendam as habilidades sociais e intelectuais oriundas de brincar no mundo real, dedicado a jogar, fazer uma tranqüila refeição em família ou visitar um parque, museu ou zoológico.
O mundo virtual da tecnologia moderna está aqui para ficar, e as crianças certamente precisam aprender a viver e operar nele. Meu argumento é apenas que elas precisam aprender e operar no mundo real antes de começar a viver e lidar com o mundo virtual. É preciso ter raízes alem de asas. Brincar de verdade dá à crianças as raízes; o brincar virtual lhes dá suas asas. Elas precisam de ambas e na ordem certa.

David Elkind - Doutor em Psicologia Clínica e professor de Desenvolvimento da Criança na Tufts University, em Medford, MA (Estados Unidos).


sábado, 10 de agosto de 2013

Alfabetização precoce


POR QUE NÃO ALFABETIZAR PRECOCEMENTE?

        Ao brincarem, as crianças constroem muitas noções de convivência, se socializam, aprendem a respeitar os colegas, entendem que é necessário ceder em alguns momentos para conviverem em harmonia uns com os outros, pois cada um pensa de forma diferente e deve sempre ser respeitado como um ser único e de imenso valor. Além disso, age de forma livre, espontânea, aguça sua imaginação, sua criatividade, por isso é tão importante a brincadeira na Educação Infantil, uma fase em que as crianças precisam de tais valores para se constituir cidadãos autônomos, críticos, reflexivos, que convivem em sociedade de forma harmoniosa.
         Se invés de brincar, as crianças forem alfabetizadas na Educação Infantil, elas estarão “atropelando” uma fase de extrema importância e certamente muitos aprendizados desta fase lhes farão falta no futuro, em sua vivência como cidadãos. Infelizmente esta alfabetização precoce ocorre muitas vezes com o intuito de preparar as crianças mais cedo para viverem em um mundo cada vez mais competitivo e muitas vezes até mesmo desleal, como se o mais importante fosse adquirir os chamados “dons” exigidos pelo mercado de trabalho. Os próprios pais cobram das escolas, dos professores, que seus filhos aprendam o que eles consideram importante. As famílias deveriam buscar conhecimentos para que possam compreender a importância do lúdico na formação de seus filhos, pois as crianças não estão apenas brincando como muitos julgam e entender que na Educação Infantil o mais importante não é mostrar resultados na leitura e na escrita, mas sim que as crianças compreendam a arte de viver!
         Na Educação Infantil não se deve apenas brincar com materiais específicos, mas sim utilizar materiais diversificados, várias formas de arte como música, dança, teatro, materiais modeláveis, que além de aguçarem a criatividade auxiliam também na coordenação motora e na importância do coletivo para que os objetivos sejam alcançados.
                             Elizabeth Ouverney

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Alfabetizar precocemente significa empurrar a criança para o mundo adulto antes da hora

Sueli Passerini

É possível alfabetizar uma criança com menos de 7, 6 ou até 5 anos de idade? Sim, é possível alfabetizar muito cedo uma criança. Mas será uma alfabetização significativa? Que comprometimentos podem advir do que entendemos como aceleração da alfabetização? Qual é o ganho efetivo para a criança?
Ouço muitas vezes no consultório os pais preocupados com o futuro caminho profissional definido pelo vestibular de seu filho ou filha de apenas 3, 4, 5 anos. Quando pergunto aos pais o que eles entendem do brincar de sua criança, geralmente respondem que é apenas um passatempo, exceto pelos jogos de raciocínio. Eles consideram importante preparar a sua criança para a vida, para a competição do mundo, para uma profissão que lhe dê “felicidade” – palavra quase sempre atrelada a “dinheiro”.
No entanto, se olhamos a criança quando ela está brincando, fantasiando, subindo em árvores ou correndo com outras crianças, verificamos um universo muito particular no qual ela desenvolve capacidades e uma confiança que, muitas vezes, não encontramos no universo dos adultos bem sucedidos. É por esse motivo que nas escolas Waldorf nós defendemos que até pelo menos os 6 ou 7 anos a criança simplesmente… brinque. O tempo que alguns julgam que ela “perde” por não ser rapidamente alfabetizada, ela na verdade ganha, acumulando forças internas para poder enfrentar o mundo que às vezes tanto preocupa os adultos.
Há quase 100 anos da fundação da primeira escola Waldorf na Alemanha, baseada em uma concepção de mundo denominada de Antroposofia, elaborada por Rudolf Steiner, confiamos cada vez mais nos resultados dessa prática, hoje disseminada em mais de 3 mil instituições em todo o mundo (com cerca de 25 escolas no Brasil, e dezenas de jardins de infância) orientando educadores quanto a essa questão. A antropologia antroposófica reconhece a importância do desenvolvimento físico, anímico e espiritual do ser humano em formação. Os sete primeiros anos da criança, por exemplo, representam uma fase de grande dispêndio de energia para preparar toda uma condição física. Isso se evidencia em um desenvolvimento neurológico e sensorial que tem sua expressão no domínio corporal, na linguagem oral, na fantasia, na inteligência.
Contudo, é na atividade do brincar que essas capacidades são desenvolvidas com alegria e seriedade, com atenção e responsabilidade, com segurança e confiança em um mundo bom, que não exige da criança além de suas possibilidades, ou seja, uma entrada precoce no mundo adulto. E alfabetizar precocemente significa empurrar a criança para o mundo adulto (para o qual ela não está preparada, portanto) antes da hora, um gasto de energia que poderá fazer falta na vida futura dela.
Em minha experiência docente, assim como psicopedagógica, sempre constato que, para uma criança pequena, o código alfabético é estéril, sem cor, sem beleza, pois é abstrato e desconhecido. Mesmo depois de alfabetizada, é o desenho que representa tão significativamente as suas vivências. Podemos verificar tal condição quando estudamos a escrita gráfica de nossos antepassados longínquos e a forma de comunicação de nossas crianças, o desenho. A escrita do povo egípcio, os hieróglifos, é a representação objetiva da realidade, ou seja, a re(a)presentação do mundo sensório pelo desenho. Mas quando em 3.000 a.C. surgiu a escrita fonética dos fenícios, ocorreu um distanciamento dessa forma de expressão, porque as letras não tem mais relação direta com os elementos do mundo circundante.
O desenho da criança é a forma de comunicação natural, semelhante aos antigos egípcios, que revela seu universo infantil com o código que lhe é caro e próprio. Quando a sua criança lhe mostra um desenho que tenha feito, ela está lhe contando como vê o mundo, como se sente, se está alegre ou triste. Não é só a escrita que é capaz disso.
Nas escolas Waldorf a alfabetização pelo código fonético inicia-se pelo desenho, de forma lenta e gradual, a partir dos 6 1/2 ou 7 anos, mas o desenho e a pintura correm em paralelo por toda a escolaridade, como uma forma de comunicação tão importante quanto nossa linguagem escrita.
A pedagogia Waldorf pressupõe que o professor, realizador dessa pedagogia, conheça o ser humano em seu desenvolvimento geral, respeite o contexto sociocultural em que o aluno está inserido e sua individualidade, saiba organizar seu ensino privilegiando a brincadeira, o canto, a dança, para que a alfabetização (e qualquer outro conteúdo de ensino) tenha significado e seja efetiva.
O brincar da criança, seu desenho, sua imaginação e sua criatividade, fazem parte de seu aprendizado sobre o mundo e sobre si mesma. O brincar representa o princípio lúdico que embasa as atividades dinâmicas e artísticas e pode orientar toda a prática docente, mas que também dá significado ao ensino-aprendizado, pois pode expressar o motivo, assim como, o vínculo afetivo com o professor e com o conteúdo.
Termino com uma frase do filósofo Friedrich Schiller: “O homem só brinca ou joga enquanto é homem no pleno sentido da palavra, e só é homem enquanto brinca ou joga”.
Sueli Passerini - Doutora em psicologia pela USP (Universidade de São Paulo), professora da FAAP e autora de O Fio de Ariadne – um caminho para a narração de histórias, 3a. ed., São Paulo: Editora Antroposófica, 2011. Integra a Aliança pela Infância e é professora dos cursos de pós-graduação em Pedagogia Waldorf no Centro Universitário Italo Brasileiro de São Paulo e Universidade Santa Cecília de Santos